segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A DIFICIL QUESTÃO DA LIDERANÇA
Ola leitores do “Índios do Nosso Tempo”, nesta primeira edição do ano estaremos comentando sobre: A DIFICIL QUESTÃO DA LIDERANÇA.
Afinal o que é ser líder? Como exercer a liderança? Como tornar-se um líder? Bem no nosso convívio os lideres em sua maioria são políticos que eleitos por nós, vão representar nossos idéais e interesses, desenvolvendo programas, leis, projetos porem estes lideres ou esta ‘nossa’ forma de liderança vem com certas regalias. Imunidade parlamentar, acesso irrestrito a verbas publicas e a uma serie de ‘apoio’ a sua atividade (passagens aéreas, assessores, carros, casas, etc). Tudo com a justificativa de que ‘tem que se ganhar bem para poder representar o povo’, para dialogar com os ‘grandes ‘de igual pra igual'. E dessa maneira construíram um segmento a parte de toda a sociedade envolvente, uma ‘classe’ distinta, é só ver as ultimas noticias nos jornais sobre os escândalos do mensalão, recebimento de propinas, tudo porque em realidade os interesses há muito já não são do coletivo, mas sim de interesse de determinados segmentos, que em sua maioria são os próprios políticos, partidos ou a classe dominante e abastada que eles por sua condição financeira acabam por representar e se aliar, e o povo nisso? Dorme em berço esplendido a cada eleição votando e aceitando as barganhas e migalhas dadas durante o período eleitoral, favores, abraços e beijinhos nas crianças, tapinhas nas costas, e tudo que já vimos e passamos várias vezes.
Já no universo indígena um bom líder, é aquele que da o exemplo, que trás consigo a ‘voz de sua comunidade’ e ao contrario das regalias de nossos políticos, tem que dividir com todos os ‘louros da vitoria’, realizar as tarefas propostas deixando sempre de lado o 'seu', para prevalecer sempre o do 'coletivo', sua fala é sempre a do coletivo nunca a sua individual. As lideranças indígenas em sua maioria não são eleitas, são reconhecidas como lideres por sua capacidade de visão, de projetar propostas e soluções, de achar caminhos saudáveis para sua comunidade.
Mas o que aconteceu quando se deu o encontro dessas formas de ‘ser liderança’? Os indígenas ao longo de sua história de contato e envolvimento com a sociedade envolvente foram tendo que se organizar perante nossas instituições de outra forma que não a sua própria (sua maneira de liderança não é reconhecida no dialogo intercultural, por mais que a constituição garante a sua distinção étnica, e que os ‘representantes’ aceitos por nós não os representam efetivamente), desta forma os índios delegaram a classe dos mais jovens indígenas que aprenderam a língua estrangeira com maior facilidade (e ao mesmo tempo, tinham menos envolvimento e conhecimento sobre as praticas culturais de seu povo).
Recentemente (há mais ou menos uns 35 anos) os índios começaram a se organizar a nossa maneira burocrática, através de associações, ONg’s, com CNPJ (pois sem ele não se pode conseguir verba pra nenhum projeto ou ação) porem estas jovens lideranças indígenas que agora se fixam na cidade tiveram e tem muita dificuldade de serem respeitados e reconhecidos aos olhares de sua comunidade (muitos tem dificuldade de serem reconhecidos como seu representante perante a sociedade), bem verdade que muitas ações do movimento indígena sofreram com pessoas de má índole que apareceram para ajudá-los mas na realidade usavam os indígenas para causa própria, colocando algumas associações a beira do colapso, outras que desenvolveram ações interessantes foram sucateadas (parece que ainda temos a necessidade de ver não dando certo as coisas com os índios, pois como se diz pelas ruas 'o índios é primitivo e atrasado', 'temos que trazê-lo a luz da civilização'!E assim vão se fazendo programas de educação, de saúde e tantas outras que na realidade só funcionam para conseguir deslocar verbas,mas as ações nunca serão feitas muito menos acarretaram melhoria e mudança na situação que impusemos a eles, o contato e envolvimento com nossa forma de ser e agir, as enfermidades de saúde (e do espírito).
Lembro aqui de Juruna Xavante que foi eleito no Rio de Janeiro num movimento encabeçado por Darcy Ribeiro, para que os índios tivessem espaço no Senado e no Parlamento, lembra de seu gravador registrando as promessas dos políticos? Vocês sabem como esta liderança terminou? E Paulinho Paiakan Kayapo, você sabe o que realmente aconteceu?
Bem verdade que o exemplo dado por nossas instituições e nossos lideres políticos não são bons para a construção de uma realidade melhor e mais ética. E essas lideranças da cidade ficam espremidas entre o tradicional e a maneira ‘corrupta e desleal’ da sociedade envolvente, e como se manter ético perante tudo isso? Como não escorregar nos desejos e nas ilusões reluzentes do mundo contemporâneo?Como se manter atrelado aos conceitos e ideais de lideranças indígenas vivendo e organizando seu planejamento numa panela de pressão de interesses escusos, nesse constante 'toma lá da cá', 'de pouca farinha meu pirão primeiro'.
E os indígenas que se organizarem e perceberem que entre vocês,quantos são, tem a força de eleger muitos dos seus, mas a questão é os índios querem isso? Ter lideranças indígenas os representando junto as nossas instituições?
Fiquemos atentos este ano tem eleição. Aguardo vossos comentários, até!
Afinal o que é ser líder? Como exercer a liderança? Como tornar-se um líder? Bem no nosso convívio os lideres em sua maioria são políticos que eleitos por nós, vão representar nossos idéais e interesses, desenvolvendo programas, leis, projetos porem estes lideres ou esta ‘nossa’ forma de liderança vem com certas regalias. Imunidade parlamentar, acesso irrestrito a verbas publicas e a uma serie de ‘apoio’ a sua atividade (passagens aéreas, assessores, carros, casas, etc). Tudo com a justificativa de que ‘tem que se ganhar bem para poder representar o povo’, para dialogar com os ‘grandes ‘de igual pra igual'. E dessa maneira construíram um segmento a parte de toda a sociedade envolvente, uma ‘classe’ distinta, é só ver as ultimas noticias nos jornais sobre os escândalos do mensalão, recebimento de propinas, tudo porque em realidade os interesses há muito já não são do coletivo, mas sim de interesse de determinados segmentos, que em sua maioria são os próprios políticos, partidos ou a classe dominante e abastada que eles por sua condição financeira acabam por representar e se aliar, e o povo nisso? Dorme em berço esplendido a cada eleição votando e aceitando as barganhas e migalhas dadas durante o período eleitoral, favores, abraços e beijinhos nas crianças, tapinhas nas costas, e tudo que já vimos e passamos várias vezes.
Já no universo indígena um bom líder, é aquele que da o exemplo, que trás consigo a ‘voz de sua comunidade’ e ao contrario das regalias de nossos políticos, tem que dividir com todos os ‘louros da vitoria’, realizar as tarefas propostas deixando sempre de lado o 'seu', para prevalecer sempre o do 'coletivo', sua fala é sempre a do coletivo nunca a sua individual. As lideranças indígenas em sua maioria não são eleitas, são reconhecidas como lideres por sua capacidade de visão, de projetar propostas e soluções, de achar caminhos saudáveis para sua comunidade.
Mas o que aconteceu quando se deu o encontro dessas formas de ‘ser liderança’? Os indígenas ao longo de sua história de contato e envolvimento com a sociedade envolvente foram tendo que se organizar perante nossas instituições de outra forma que não a sua própria (sua maneira de liderança não é reconhecida no dialogo intercultural, por mais que a constituição garante a sua distinção étnica, e que os ‘representantes’ aceitos por nós não os representam efetivamente), desta forma os índios delegaram a classe dos mais jovens indígenas que aprenderam a língua estrangeira com maior facilidade (e ao mesmo tempo, tinham menos envolvimento e conhecimento sobre as praticas culturais de seu povo).
Recentemente (há mais ou menos uns 35 anos) os índios começaram a se organizar a nossa maneira burocrática, através de associações, ONg’s, com CNPJ (pois sem ele não se pode conseguir verba pra nenhum projeto ou ação) porem estas jovens lideranças indígenas que agora se fixam na cidade tiveram e tem muita dificuldade de serem respeitados e reconhecidos aos olhares de sua comunidade (muitos tem dificuldade de serem reconhecidos como seu representante perante a sociedade), bem verdade que muitas ações do movimento indígena sofreram com pessoas de má índole que apareceram para ajudá-los mas na realidade usavam os indígenas para causa própria, colocando algumas associações a beira do colapso, outras que desenvolveram ações interessantes foram sucateadas (parece que ainda temos a necessidade de ver não dando certo as coisas com os índios, pois como se diz pelas ruas 'o índios é primitivo e atrasado', 'temos que trazê-lo a luz da civilização'!E assim vão se fazendo programas de educação, de saúde e tantas outras que na realidade só funcionam para conseguir deslocar verbas,mas as ações nunca serão feitas muito menos acarretaram melhoria e mudança na situação que impusemos a eles, o contato e envolvimento com nossa forma de ser e agir, as enfermidades de saúde (e do espírito).
Lembro aqui de Juruna Xavante que foi eleito no Rio de Janeiro num movimento encabeçado por Darcy Ribeiro, para que os índios tivessem espaço no Senado e no Parlamento, lembra de seu gravador registrando as promessas dos políticos? Vocês sabem como esta liderança terminou? E Paulinho Paiakan Kayapo, você sabe o que realmente aconteceu?
Bem verdade que o exemplo dado por nossas instituições e nossos lideres políticos não são bons para a construção de uma realidade melhor e mais ética. E essas lideranças da cidade ficam espremidas entre o tradicional e a maneira ‘corrupta e desleal’ da sociedade envolvente, e como se manter ético perante tudo isso? Como não escorregar nos desejos e nas ilusões reluzentes do mundo contemporâneo?Como se manter atrelado aos conceitos e ideais de lideranças indígenas vivendo e organizando seu planejamento numa panela de pressão de interesses escusos, nesse constante 'toma lá da cá', 'de pouca farinha meu pirão primeiro'.
E os indígenas que se organizarem e perceberem que entre vocês,quantos são, tem a força de eleger muitos dos seus, mas a questão é os índios querem isso? Ter lideranças indígenas os representando junto as nossas instituições?
Fiquemos atentos este ano tem eleição. Aguardo vossos comentários, até!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Apontamentos sobre o feminino nas comunidades indígenas

Apontamentos sobre o feminino nas comunidades indígenas
Estimados leitores como matéria de fim de ano, desejando a todos um feliz ano novo de 2010, um ótimo natal, de compreensão harmonia e paz.
Nos últimos dias pude vivenciar algumas atividades na fronteiras realizadas na Universidade Nacional da Colômbia, UNAL, sede de Letícia com algumas organizações de mulheres indígenas dos povos da fronteira. Tikuna habitantes de ambos países, Uitoto, entre outros. Pudemos organizar a participação de duas indígenas Marubo também no Seminário mulher indígena, conflito e meio ambiente, que conduziu as reflexões problematizando gênero, a importância de realizar grupos de trabalhos sobre as questões das mulheres indígenas, o manejo do ambiente, com atividades didáticas produziu com as mulheres uma cartografia social da utilização dos espaços nos territórios e as questões da vida urbana indígena na Amazônia.
Foram narrados os conflitos de interesse entre o ‘domínio’ dos curacas, homens suas formas de atuação nas questões de defesa e garantia dos direitos e do território, da própria submissão das atividades e articulações femininas nesse contexto. As indígenas puderam estabelecer comparativos com a situação das diferentes nações na relação e ao contato com o Estado-nação falaram das perdas na barganha advinda deste contato.
As dificuldades enormes dos diálogos multi-étnico, com o problema da corrupção e burocracia nas ações de políticas publicas, dificuldade da compreensão dos diferentes olhares no contexto educacional, da saúde entre os povos originários e os ‘brancos’.
A herança do lixo, os aterros sanitários que buscam afastar dos olhos do plano urbanístico (ao menos nos próximos anos), entendendo que faz parte da idéia de estar mais organizado, porém mais desordenado. Não se planeja a ação para o bem estar coletivo, só quando for individualmente lucrativo, ou seja, só se organizara propostas como a coleta seletiva do lixo, a reutilização e reciclagem só serão aplicadas, quando for um mercado lucrativo, para isso temos que possibilitar o acúmulo de toneladas de matéria prima para um futuro empreendimento rentável.
As propostas e planos de vida indígenas para o futuro estão centralizados em perspectivas e patamares muitos distintos, as mulheres discursavam sobre a relação pessoal que mantém com o território, as chácaras, os dilemas que enfrentam, por exemplo, na Colômbia nos resguardos, que tem uma legislação, diga-se de passagem, distinta da que temos no Brasil, com as Terras indígenas, quilombos, Parques, Áreas de Proteção, Reservas Ambientais, Extrativistas, etc.
O Brasil por outro lado, tem dado ênfase ao conceito de tombamento tanto da cultura material, mas principalmente a imaterial os modos e forma de fazer e apreender o mundo. As questões ligadas à auto sustentabilidade, do território das praticas culturais mantém assim certo fantasma da extinção e suspeita de desaparecimento da sua língua, etnia e/ou tradição. É verdade que estas ações são uma importante ferramenta na luta pelo reconhecimento, mas é importante perceber que por trás dessas ações, pode camuflar uma nova ordenação da cultura dos povos originários, realizando releituras de aspectos rituais, cerimônias sobre a ótica de dança, folclore, ou ainda pior, artesanato, teatralização e souvenir para o mercado em expansão do turismo.
Muitas das questões nos territórios indígenas da Colômbia passam por questões estruturais como não ter água, luz, problema de saneamento básico e estruturais, grande parte de sua produção já são direcionadas ao mercado para aquisição de bens de consumo. Há ainda as vendas de partes das terras dos resguardos para ‘finqueiros’, fazendeiros para exploração e criação de gado ou mesmo para recomprá-las com financiamento e facilidades do governo.
Diferente por exemplo, da Terra Indígena Vale do Javari que sofre com problemas calamitosos na área de saúde, o não cumprimento das propostas do órgão publico que programa as ações em saúde e atendimento das enfermidades, não por falta de financiamento, muito mais pelo o que creio ser um dos grandes problemas da America Latina, a má utilização e aplicação dos recursos, que não são utilizados para o que foram destinados. Os diversos povos que vivem no Vale do Javari, e os muitos ainda ‘não contatados’ ainda salvos de estarem infectados pelos ‘prazeres luminosos’, fugazes da sociedade nacional envolvente, estão pouco inseridos no mercado socío-econômico-cultural, e vem estabelecendo aos poucos, projetos dentro de seus territórios, porem, fora algum artesanato e banana (excedente das roças) que esporadicamente levam para serem vendidos nas cidades (onde compram óleo, açúcar, e outros bens de primeira necessidade, do qual não são auto suficiente), mas estes índios não participam nem tem sua lógica de produção voltada para mercado mas sim, para o consumo dentro das próprias comunidades e famílias. Com os Tikuna não é assim tão diferente, foi interessante ouvir de Tikuna ‘colombianos’ sobre a origem comum do povo Magüta, no território (hoje Brasil) Eware, relativizando as fronteiras entre países e afirmando um tempo anterior de dinâmicas dos povos originários. As dinâmicas e tempos de ‘guerra’ entre Peru e Colômbia também foi lembrado.
Para concluir lembro o mito de Catxekwy, de povos Jê do Brasil central (Kayapo, Timbira, etc). Essa história remonta a época em que os índios comiam mel e apenas algumas espécies de plantas. Esses povos são matrilocais (a residência pertence à mulher, indo o homem ao casar habitar a residência da sogra) então os rapazes solteiros têm o costume de quando estão em idade para namorar vão dormir no centro da aldeia, no pátio, olhando as estrelas e a lua em suas enormes aldeias circulares.
Numa noite dessas um jovem foi surpreendido por uma rã que insistiu por algumas vezes em subir no seu peito, e quando irritado já estava por tomar uma atitude mais extremada, a rã falou com ele e de pronto se transformou numa linda mulher. Logo disse que havia visto ele lá do alto céu, de onde ela vinha. Disse que gostou dele e queria ficar com ele, mas advertiu que ninguém poderia saber de sua existência na aldeia, então ela a colocou numa cabaça (outras versões falam que ela se transformou em cabaça) e durante o dia o jovem olhava para cabaça com alegria e felicidade e toda a noite ela saia, aparecendo para ele e foram felizes ate um dia que uma das irmãs do jovem curiosa com a situação resolve ver a cabaça e descobre a mulher, Catxecwy.
Na noite ao encontrar o jovem indígena, Catxecwy relata tudo que aconteceu e diz que desta maneira terá que ir embora, ele reclama, chora e por fim aceita o destino de seu afeto.
Antes de voltar para o céu Catxecwy, ensina ao jovem indígena sobre os diversos alimentos comestíveis que até então eles desconheciam de seu território, despedisse e vira a estrela que para nós chamamos de Vênus.
O que deixo marcado aqui a importância do feminino indígena na educação, conhecimento, preservação e manutenção das praticas culturais e que mesmo sob forte ‘submissão’ ao mundo machista, criam leituras e apresentam outros caminhos e interpretações possíveis. A grande revolução esta na mudança de paradigma sobre os encaminhamentos de nosso futuro, as mulheres mesmo como diz na letra da canção de Jonh Lennon ‘woman is a nigger of the world’ tomando conhecimento de sua condição poderão apresentar propostas mais satisfatórias, interessantes aos dilemas e encruzilhadas que vivemos atualmente. Por fim minhas homenagens a um dos grandes mestres imortais da etnologia, Claude Lévi-Strauss que recentemente nos deixou.
Ate o próximo ano!
Estimados leitores como matéria de fim de ano, desejando a todos um feliz ano novo de 2010, um ótimo natal, de compreensão harmonia e paz.
Nos últimos dias pude vivenciar algumas atividades na fronteiras realizadas na Universidade Nacional da Colômbia, UNAL, sede de Letícia com algumas organizações de mulheres indígenas dos povos da fronteira. Tikuna habitantes de ambos países, Uitoto, entre outros. Pudemos organizar a participação de duas indígenas Marubo também no Seminário mulher indígena, conflito e meio ambiente, que conduziu as reflexões problematizando gênero, a importância de realizar grupos de trabalhos sobre as questões das mulheres indígenas, o manejo do ambiente, com atividades didáticas produziu com as mulheres uma cartografia social da utilização dos espaços nos territórios e as questões da vida urbana indígena na Amazônia.
Foram narrados os conflitos de interesse entre o ‘domínio’ dos curacas, homens suas formas de atuação nas questões de defesa e garantia dos direitos e do território, da própria submissão das atividades e articulações femininas nesse contexto. As indígenas puderam estabelecer comparativos com a situação das diferentes nações na relação e ao contato com o Estado-nação falaram das perdas na barganha advinda deste contato.
As dificuldades enormes dos diálogos multi-étnico, com o problema da corrupção e burocracia nas ações de políticas publicas, dificuldade da compreensão dos diferentes olhares no contexto educacional, da saúde entre os povos originários e os ‘brancos’.
A herança do lixo, os aterros sanitários que buscam afastar dos olhos do plano urbanístico (ao menos nos próximos anos), entendendo que faz parte da idéia de estar mais organizado, porém mais desordenado. Não se planeja a ação para o bem estar coletivo, só quando for individualmente lucrativo, ou seja, só se organizara propostas como a coleta seletiva do lixo, a reutilização e reciclagem só serão aplicadas, quando for um mercado lucrativo, para isso temos que possibilitar o acúmulo de toneladas de matéria prima para um futuro empreendimento rentável.
As propostas e planos de vida indígenas para o futuro estão centralizados em perspectivas e patamares muitos distintos, as mulheres discursavam sobre a relação pessoal que mantém com o território, as chácaras, os dilemas que enfrentam, por exemplo, na Colômbia nos resguardos, que tem uma legislação, diga-se de passagem, distinta da que temos no Brasil, com as Terras indígenas, quilombos, Parques, Áreas de Proteção, Reservas Ambientais, Extrativistas, etc.
O Brasil por outro lado, tem dado ênfase ao conceito de tombamento tanto da cultura material, mas principalmente a imaterial os modos e forma de fazer e apreender o mundo. As questões ligadas à auto sustentabilidade, do território das praticas culturais mantém assim certo fantasma da extinção e suspeita de desaparecimento da sua língua, etnia e/ou tradição. É verdade que estas ações são uma importante ferramenta na luta pelo reconhecimento, mas é importante perceber que por trás dessas ações, pode camuflar uma nova ordenação da cultura dos povos originários, realizando releituras de aspectos rituais, cerimônias sobre a ótica de dança, folclore, ou ainda pior, artesanato, teatralização e souvenir para o mercado em expansão do turismo.
Muitas das questões nos territórios indígenas da Colômbia passam por questões estruturais como não ter água, luz, problema de saneamento básico e estruturais, grande parte de sua produção já são direcionadas ao mercado para aquisição de bens de consumo. Há ainda as vendas de partes das terras dos resguardos para ‘finqueiros’, fazendeiros para exploração e criação de gado ou mesmo para recomprá-las com financiamento e facilidades do governo.
Diferente por exemplo, da Terra Indígena Vale do Javari que sofre com problemas calamitosos na área de saúde, o não cumprimento das propostas do órgão publico que programa as ações em saúde e atendimento das enfermidades, não por falta de financiamento, muito mais pelo o que creio ser um dos grandes problemas da America Latina, a má utilização e aplicação dos recursos, que não são utilizados para o que foram destinados. Os diversos povos que vivem no Vale do Javari, e os muitos ainda ‘não contatados’ ainda salvos de estarem infectados pelos ‘prazeres luminosos’, fugazes da sociedade nacional envolvente, estão pouco inseridos no mercado socío-econômico-cultural, e vem estabelecendo aos poucos, projetos dentro de seus territórios, porem, fora algum artesanato e banana (excedente das roças) que esporadicamente levam para serem vendidos nas cidades (onde compram óleo, açúcar, e outros bens de primeira necessidade, do qual não são auto suficiente), mas estes índios não participam nem tem sua lógica de produção voltada para mercado mas sim, para o consumo dentro das próprias comunidades e famílias. Com os Tikuna não é assim tão diferente, foi interessante ouvir de Tikuna ‘colombianos’ sobre a origem comum do povo Magüta, no território (hoje Brasil) Eware, relativizando as fronteiras entre países e afirmando um tempo anterior de dinâmicas dos povos originários. As dinâmicas e tempos de ‘guerra’ entre Peru e Colômbia também foi lembrado.
Para concluir lembro o mito de Catxekwy, de povos Jê do Brasil central (Kayapo, Timbira, etc). Essa história remonta a época em que os índios comiam mel e apenas algumas espécies de plantas. Esses povos são matrilocais (a residência pertence à mulher, indo o homem ao casar habitar a residência da sogra) então os rapazes solteiros têm o costume de quando estão em idade para namorar vão dormir no centro da aldeia, no pátio, olhando as estrelas e a lua em suas enormes aldeias circulares.
Numa noite dessas um jovem foi surpreendido por uma rã que insistiu por algumas vezes em subir no seu peito, e quando irritado já estava por tomar uma atitude mais extremada, a rã falou com ele e de pronto se transformou numa linda mulher. Logo disse que havia visto ele lá do alto céu, de onde ela vinha. Disse que gostou dele e queria ficar com ele, mas advertiu que ninguém poderia saber de sua existência na aldeia, então ela a colocou numa cabaça (outras versões falam que ela se transformou em cabaça) e durante o dia o jovem olhava para cabaça com alegria e felicidade e toda a noite ela saia, aparecendo para ele e foram felizes ate um dia que uma das irmãs do jovem curiosa com a situação resolve ver a cabaça e descobre a mulher, Catxecwy.
Na noite ao encontrar o jovem indígena, Catxecwy relata tudo que aconteceu e diz que desta maneira terá que ir embora, ele reclama, chora e por fim aceita o destino de seu afeto.
Antes de voltar para o céu Catxecwy, ensina ao jovem indígena sobre os diversos alimentos comestíveis que até então eles desconheciam de seu território, despedisse e vira a estrela que para nós chamamos de Vênus.
O que deixo marcado aqui a importância do feminino indígena na educação, conhecimento, preservação e manutenção das praticas culturais e que mesmo sob forte ‘submissão’ ao mundo machista, criam leituras e apresentam outros caminhos e interpretações possíveis. A grande revolução esta na mudança de paradigma sobre os encaminhamentos de nosso futuro, as mulheres mesmo como diz na letra da canção de Jonh Lennon ‘woman is a nigger of the world’ tomando conhecimento de sua condição poderão apresentar propostas mais satisfatórias, interessantes aos dilemas e encruzilhadas que vivemos atualmente. Por fim minhas homenagens a um dos grandes mestres imortais da etnologia, Claude Lévi-Strauss que recentemente nos deixou.
Ate o próximo ano!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A RELAÇÃO DOS CIDADÃOS DO MUNICIPIO DE BENJAMIN CONSTANT COM O MUSEU MAGÜTA- POVO INDÍGENA TIKUNA. APONTAMENTOS SOBRE MUSEUS, AFINAL PRA QUE UM MUSEU?
Lembro ainda que mantemos um blog, http:/indiosdonossotempo.blogspot.com onde estão as matérias, com mais fotos (que salvo o primeiro artigo sobre o Congresso em Tarapoto –Peru, contou também com a colaboração de um fotografo do evento) que são de minha autoria, de povos indígenas do Maranhão, Mato Grosso, enfim...Nesta edição estaremos discorrendo sobre uma situação especifica e peculiar que havia lido há tempos atrás em um artigo do professor Jose de Ribamar Bessa Freire (que alias numa recente breve pesquisa na internet parece que andou utilizando escritos meus sobre os Kayapo-mas como não teria sido publicado e sim dialogado/escrito na pós-graduação em educação indígena da UFF em 2006..., mas bem). O artigo “a descoberta dos museus pelos índios” se salvo engano, foi publicado em 1999, apontava sobre certo etnocentrismo, que agora estamos podendo vivenciar. Sendo este o tema que trata nossa coluna aqui, A RELAÇÃO DOS CIDADÃOS DO MUNICIPIO DE BENJAMIN CONSTANT COM O MUSEU MAGÜTA- POVO INDÍGENA TIKUNA. APONTAMENTOS SOBRE MUSEUS, AFINAL PRA QUE UM MUSEU?
Não tentaremos descrever ou explicar quem são os Tikuna, outras informações possíveis sobre este povo e a questão geopolítica que envolve o que este povo e o tema aborda ver autores como João Pacheco, Curt Nimuendaju, entre outros (uma pesquisa pode ser realizada na biblioteca que há anexo ao museu Magüta), aqui me concentro numa perspectiva especifica de olhar a relação entre paisanos benjaminenses e indígenas.
A Formação do Museu Magüta deu-se em 1988, época da nova Constituição Brasileira, lembra-se? Neste época, os Magüta/Tikuna lutavam pela defesa e garantia de seu Território (hoje tudo parece mais tranqüilo com a OIT 169, entre outras melhorias no dialogo intercultural), mas neste recente passado os povos originários sofriam por todo país, e ali nos rincões da Amazônia não seria diferente. Grupos armados, madeireiros entre tantos outros representantes da ‘frente de expansão’ entravam em conflito periodicamente com os indígenas.
Os Tikuna junto com pesquisadores de outros lugares do país, como a Dra. Jussara Gomes Gruber, passaram pelo menos três anos pensando/discutindo, a organização e montagem da coleção do Magüta. Bem verdade, acreditamos que durante este período os indígenas puderam não apenas colaborar com as pesquisas dos etnólogos, historiadores e lingüistas, como ‘incorporaram’ um importante “aliado” (alem dos pesquisadores e indigenistas que se imbuíram da causa) à sua luta e ao seu discurso étnico, pois naquela época, este povo teve que lutar também para ser reconhecido como um ‘grupo indígena brasileiro’ (tem território em outros países) e assim também seu Território reconhecido. O museu como arma, o museu espaço que daria/deu/dá à legitimidade ao movimento e reconhecimento aos indígenas enquanto diferença, demonstrou neste período ser um grande “aliado”.
Mas sofreram uma dura oposição por parte dos Políticos, (e atualmente percebe-se certa invisibilidade perante a cidade, mesmo sendo principal atrativo turístico da cidade) Latifundiários, e principalmente os Madeireiros, chegando estes a cooptar apoio da população de Benjamim Constant para manifestações nas ruas, gestos de hostilidade, de ridicularizar e menosprezar a imagem do povo, categorizando os indígenas como “caboclos” (categoria mais próxima da possível idéia de ‘branco’ que são os paisanos locais que, o ‘branco civilizado industrial turista’ que se pretende demarcar enquanto distinção).
Em meio a protestos e ajuda da imprensa, que cumprindo seu papel apresentou os fatos denunciando as autoridades locais, o museu foi inaugurado em 1991, conquistando prêmios pelo esforço, destaque para “Museu Símbolo de 1995” pelo ICOM, e também o dado pelo IPHAN por sua preservação da cultura brasileira.
Mas, curiosamente nos dias de hoje, o Magüta continua enfrentando se não tanto mais a hostilidade, com certeza a invisibilidade e não participação dos cidadãos no dia a dia, na relação com o museu e sua história com a própria identidade da cidade e da população local. É um espaço para ser celebrado, mas é ignorado pela população do município.
Os Tikuna afirmam que o museu é indígena, mas também de todos de Benjamim Constant que alias tem livre acesso ao museu, mas mesmo assim não freqüentam e não abraçam o museu.
Mesmo sendo também importante a nível econômico- trazendo turistas ao município e movimentando a estagnada circulação de bens de consumo, informação, dinheiro e tanto mais, não recebe nenhum apoio, incentivo fiscal da prefeitura, não há nenhum tipo de convênio com a companhia de energia para isenção das taxas-e vez por outra estão em dificuldades, pois o que mantém toda estrutura nos dias atuais é praticamente a visitação de turistas que pagam cerca de cinco reais por uma visita guiada. Nem mesmo, ate os dias de hoje estabeleceu-se incrementos de pesquisa com a Universidade Federal do Amazonas, que mantém um campus na referida cidade.
O artigo de Bessa Freire, escrito já há algum tempo, que apontei no inicio de nossa coluna vem descrevendo a situação que nos períodos iniciais da época de formação, inauguração do Museu Magüta (e que atualmente ainda insiste em persistir, mesmo que numa outra perspectiva- e é o que chamo aqui de invisibilidade do museu) os paisanos da referida cidade se referiam (fala o artigo) ao museu com certo ‘preconceito’ afirmando que museu é/era coisa de índio, menosprezando sua importância e tudo mais devido também aos fatos históricos brevemente descritos acima.
Bessa Freire vai estabelecendo ao longo de seu trabalho um comparativo com o conceito/idéia que os grandes centros urbanos como, por exemplo, São Paulo, Rio de Janeiro, e outras metrópoles têm/desenvolveram acerca de museus. As instituições museológicas têm, em sua formação o caráter de ser/pertencer às classes dominantes, aos interesses de um determinado pensamento cientifico/social, de quem controla o ‘sistema’ e/ou a ‘situação’. Os famosos “gabinetes de curiosidades” do século XIX.
Afinal o que constitui um Museu? Seu acervo? A história de sua sede?Os homens que assim o intitularam? Uma das muitas salas de ‘curiosidades’? E ainda, mas o que nele contém? História? Pesquisa? Coleções? O que o museu mostra?Ou pra que ele serve ou se propõe?
Segundo um indígena questionado sobre para que museu? Disse: “Para não esquecer”.
A idéia local dos paisanos sobre museu, afirma o artigo de Bessa, “vem de um etnocentrismo local contra aos indígenas que são tidos como caboclos, não mais índios autênticos”. Mas esquecem de questionar ou perceber que as ‘mudanças de autenticidade’ ocorridas com este povo (e outros mais ao longo da história de ‘contato’) foram em decorrência muito mais, por terem sido escravos no tempo dos seringais, por terem ‘aceito’ e alimentado o sistema exógeno que se apoderou de seus territórios, sua vida, cosmovisao, religião, do que uma feliz vontade. Foi e tem sido sim uma necessidade de “mudar para continuar sendo o mesmo”- diferente... Magüta antes de qualquer outra opção.
O artigo é um tanto irônico ao estabelecer um paralelo com a categoria de ‘caboclo’ para os locais, locais seriam os paisanos do município, que afirmavam-se perante a alteridade indígena Magüta, ser/pertencer a categoria de ‘civilizados’. Mas a categoria ‘civilizado’, defende o artigo, estaria condicionada a um tipo de perfil, que entre outras características, compreende a instituições museológicas como representante de seu conhecimento cientifico (e não coisa de índio), sua maneira (civilizada) de apreender o mundo, englobando outras culturas, cristalizando-as nas prateleiras e catalogações de acervos dos museus. Longe da concepção etnocêntrica e preconceituosa dos cidadãos do município.
Desta forma então, os paisanos do município seriam ‘caboclos’ (categoria negada por quase todos ‘brancos’ Amazônicos), e os Tikuna, índios, que com apoio de pesquisadores puderam concretizar o conceito de museu, um museu étnico de afirmativa indígena, mas, mais do que isso, de re-afirmativa, lá nos idos de 1992, eco-92, da pluralidade étnica, a diversidade intercultural que somos nós, todos brasileiros, mestiços, mulatos, caboclos, índio, amarelo, azul, negro e outros estados nação/irmãos (árabes europeus...). Mas apesar de todo esse movimento e dos prêmios, a cidade ate os dias de hoje se mantém de olhos fechados para a preciosidade que é ter o Magüta na cidade.
Afirmar que museu é coisa de índio, fechar os olhos e não perceber ainda hoje, os erros cometidos, não fazer distinção é manter tudo o que todos nós estamos submetidos, as condições opressoras, de exploração e destruição, é continuar em pleno século XXI á ser colônia. Queremos expor que fora das amarras que nos vinculam a velhos rótulos podemos e devemos fazer a diferença, avaliar o conflito histórico, rever os preconceitos, nos humanizar e comungar juntos com nossas distinções.
Será que todos nós carecemos de uma categoria que nós identifiquemos? Identifique-se? O que é ser índio? Quem gerou este rotulo? Quem usa? Pra classificar quem? E quem é classificado com ele? Por quem? E as mesmas questões com a categoria “caboclo”?
Com a idéia/conceito de museu quase todos identificam a instituição como um lugar de conhecimento, de pesquisa, de estudo, de guardiã da memória, como afirmado acima sempre do olhar do dominante para com sua ou outra cultura, arraigado no pensamento evolucionista, reducionista, etc.
O Magüta é a expressão de um não aceite a essa situação de forma passiva. Os museus construídos por não-índios não serão/são mais o monopólio do discurso histórico que lhes diz respeito. Com o museu Magüta, e outros que estão/foram construídos com o mesmo perfil, se pretende deixar de ser apenas um objeto musealizável e ser também – os povos originários – agentes organizadores de sua memória.
Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma “ponte ideológica” entre culturas, que poderia permitir a participação de povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.(POSEY,1992: 43)
Desculpe por expor tão rápido os referidos assuntos eles dão muito “pano pra manga”, pra lembrar uma amiga Barbara e nos últimos dias aqui na região, acontecimentos é o que não esta faltando, estamos envoltos de acontecimentos: o avião que caiu na TIVJ e que contou com o socorro dos Indígenas Matis, com quase todos passageiros escapando com vida (sendo matéria no jornal de domingo da rede de televisão Globo, o Fantástico), ate a germinação de um proto-movimento estudantil com greve e pedido de mudanças no Instituto Natureza e Cultura-UFAM. É as mudanças demoram, mas chegam... Esperamos ser capazes de sair da estagnação e projetar um futuro melhor pra região amazônica que não apenas exploração de seus recursos e da pauperização de seus moradores, apenas como mão de obra barata. Ou com péssimas condições, sucateamento de educação, pesquisa, saúde, entre outras situações que enfrentamos todos os dias.
Por fim, Devemos todos ser a favor da preservação da herança indígena, da recuperação do patrimônio histórico-cultural do índio, da pesquisa etnológica e sua divulgação científica, conscientizando a opinião pública e o próprio governo da “contribuição indígena à cultura brasileira e universal” e, desse modo, aliando-se aos índios em suas lutas por terra, educação, saúde e cultura. É o que pretendemos aqui nessa coluna Índios do nosso tempo. Teçam comentários, no blog, aguardo vocês , ate o próximo de natal!
artedomito@gmail.com
http://indiosdonossotempo.blogspot.com/
A RELAÇÃO DOS CIDADÃOS DO MUNICIPIO DE BENJAMIN CONSTANT COM O MUSEU MAGÜTA- POVO INDÍGENA TIKUNA. APONTAMENTOS SOBRE MUSEUS, AFINAL PRA QUE UM MUSEU?
Estimados leitores, vamos aqui para mais um artigo de nossa coluna, lembramos que mantemos um blog, http:/indiosdonossotempo.blogspot.com onde estão as matérias, com mais fotos (que salvo o primeiro artigo sobre o Congresso em Tarapoto –Peru, contou também com a colaboração de um fotografo do evento) que são de minha autoria, de povos indígenas do Maranhão, Mato Grosso, enfim...Nesta edição estaremos discorrendo sobre uma situação especifica e peculiar que havia lido há tempos atrás em um artigo do professor Jose de Ribamar Bessa Freire. O artigo “A descoberta dos museus pelos índios” se salvo engano, foi publicado em 1999, apontava sobre certo etnocentrismo, que agora estamos podendo vivenciar. Sendo este o tema que trata nossa coluna aqui, A RELAÇÃO DOS CIDADÃOS DO MUNICIPIO DE BENJAMIN CONSTANT COM O MUSEU MAGÜTA- POVO INDÍGENA TIKUNA. APONTAMENTOS SOBRE MUSEUS, AFINAL PRA QUE UM MUSEU?
Não tentaremos descrever ou explicar quem são os Tikuna, outras informações possíveis sobre este povo e a questão geopolítica que envolve o que este povo e o tema aborda, ver autores como João Pacheco, Curt Nimuendaju, entre outros (uma pesquisa pode ser realizada na biblioteca que há anexo ao museu Magüta), aqui me concentro numa perspectiva especifica de olhar a relação entre paisanos benjaminenses e indígenas.
A Formação do Museu Magüta deu-se em 1988, época da nova Constituição Brasileira, lembra-se? Neste época, os Magüta/Tikuna lutavam pela defesa e garantia de seu Território (hoje tudo parece mais tranqüilo com a OIT 169, entre outras melhorias no dialogo intercultural), mas neste recente passado os povos originários sofriam por todo país, e aqui nos rincões da Amazônia não seria diferente. Grupos armados, madeireiros entre tantos outros representantes da ‘frente de expansão’ entravam em conflito periodicamente com os indígenas.
Os Tikuna junto com pesquisadores de outros lugares do país, como a Dra. Jussara Gomes Gruber, passaram pelo menos três anos pensando/discutindo, a organização e montagem da coleção do Magüta. Bem, acreditamos que durante este período os indígenas puderam não apenas colaborar com as pesquisas dos etnólogos, historiadores e lingüistas, como também ‘incorporaram’ um importante “aliado” (alem dos pesquisadores e indigenistas que se imbuíram da causa) à sua luta e ao seu discurso étnico, pois na época, este povo estava em luta também para ser/ter reconhecido como um ‘grupo indígena brasileiro’ (o povo Magüta mantém território em outros países) e assim também seu Território reconhecido. O museu como arma, o museu espaço que daria/deu/dá à legitimidade ao movimento e reconhecimento aos indígenas enquanto diferença, demonstrou neste período ser um grande “aliado”.
Mas sofreram uma dura oposição por parte dos Políticos, (e atualmente percebe-se certa ‘invisibilidade’ perante a cidade, mesmo sendo principal atrativo turístico da cidade) Latifundiários, e principalmente os Madeireiros, chegando estes a cooptar apoio da população de Benjamim Constant para manifestações nas ruas, gestos de hostilidade, de ridicularizar e menosprezar a imagem do povo, categorizando os indígenas como “caboclos” (categoria mais próxima da possível idéia de ‘branco’ que são os paisanos locais que, o ‘branco civilizado industrial turista’ que se pretende demarcar enquanto distinção).
Em meio a protestos e ajuda da imprensa, que cumprindo seu papel apresentou os fatos denunciando as autoridades locais, o museu foi inaugurado em 1991, conquistando prêmios pelo esforço, destaque para “Museu Símbolo de 1995” pelo ICOM, e também o dado pelo IPHAN por sua preservação da cultura brasileira.
Mesmo sendo também importante a nível econômico- trazendo turistas ao município e movimentando a circulação de bens de consumo, informação, dinheiro e tanto mais, não recebe nenhum apoio, incentivo fiscal da prefeitura, não há nenhum tipo de convênio com a companhia de energia para isenção das taxas-e vez por outra estão em dificuldades, pois o que mantém toda estrutura nos dias atuais é praticamente a visitação de turistas que pagam cerca de cinco reais por uma visita guiada.
Curiosamente nos dias de hoje, o Magüta continua enfrentando se não tanto mais a hostilidade, com certeza a ‘invisibilidade’ e não participação dos cidadãos no dia a dia, na relação com o museu e sua história com a própria identidade da cidade e da população local. É um espaço para ser celebrado, mas é ignorado pela população do município.
O artigo de Bessa Freire, escrito já há algum tempo, que apontei no inicio de nossa coluna, vem descrevendo a situação que nos períodos iniciais da época de formação, inauguração do Museu Magüta (e que atualmente ainda insiste em persistir, mesmo que numa outra perspectiva- e é o que chamo aqui de invisibilidade do museu) os paisanos da referida cidade se referiam (fala o artigo) ao museu com certo ‘preconceito’ afirmando que museu é/era coisa de índio, menosprezando sua importância e tudo mais devido também aos fatos históricos brevemente descritos acima.
Bessa Freire vai estabelecendo ao longo de seu trabalho um comparativo com o conceito/idéia que os grandes centros urbanos como, por exemplo, São Paulo, Rio de Janeiro, e outras metrópoles têm/desenvolveram acerca de museus. As instituições museológicas têm, em sua formação o caráter de ser/pertencer às classes dominantes, aos interesses de um determinado pensamento cientifico/social, de quem controla o ‘sistema’ e/ou a ‘situação’. Os famosos “gabinetes de curiosidades” do século XIX, tudo com forte característica evolucionista.
Afinal o que constitui um Museu? Seu acervo? A história de sua sede?Os homens que assim o intitularam?E ainda, mas o que nele contém? História? Pesquisa? Coleções? O que o museu mostra?Ou pra que ele serve ou se propõe?
A idéia local dos paisanos sobre museu, afirma o artigo de Bessa, “vem de um etnocentrismo local contra aos indígenas que são tidos como caboclos, não mais índios autênticos”. Mas esquecem de questionar ou perceber que as ‘mudanças dessa autenticidade’ ocorridas com este povo (e outros mais ao longo da história de ‘contato’) foram em decorrência muito mais, por terem sido escravos no tempo dos seringais, por terem ‘aceito’ e alimentado o sistema exógeno que se apoderou de seus territórios, sua vida, cosmovisão, religião, do que uma feliz vontade. Foi e tem sido sim uma necessidade de “mudar para continuar sendo o mesmo”- diferente... Magüta antes de qualquer outra opção.
O artigo é um tanto irônico ao estabelecer um paralelo com a categoria de ‘caboclo’ para os locais, locais seriam os paisanos do município, que afirmavam perante a alteridade indígena Magüta, ser/pertencer à categoria de ‘civilizados’. Mas a categoria ‘civilizado’, defende o artigo, estaria condicionada a um tipo de perfil, que entre outras características, compreende a instituições museológicas como representante de seu conhecimento cientifico (e não coisa de índio), sua maneira (civilizada) de apreender o mundo, englobando outras culturas, cristalizando-as nas prateleiras e catalogações de acervos dos museus. Longe da concepção etnocêntrica e preconceituosa dos cidadãos do município.
Desta forma então, os paisanos do município seriam ‘caboclos’ (categoria negada por quase todos ‘brancos’ Amazônicos), e os Tikuna, índios, que com apoio de pesquisadores puderam concretizar o conceito de museu, um museu étnico de afirmativa indígena, mas, mais do que isso, de re-afirmativa, lá nos idos de 1992, eco-92, da pluralidade étnica, a diversidade intercultural que somos nós, todos brasileiros. Mas apesar de todo esse movimento e dos prêmios, a cidade ate os dias de hoje se mantém de olhos fechados para a preciosidade que é ter o Magüta na cidade.
Afirmar que museu é coisa de índio, fechar os olhos e não perceber ainda hoje, os erros cometidos, não fazer distinção é manter tudo o que todos nós estamos submetidos, as condições opressoras, de exploração e destruição, é continuar em pleno século XXI á ser colônia. Queremos expor que fora das amarras que nos vinculam a velhos rótulos podemos e devemos fazer a diferença, avaliar o conflito histórico, rever os preconceitos, nos humanizar e comungar juntos com nossas possíveis distinções.
O Magüta é a expressão de um não aceite a essa situação de forma passiva. Os museus construídos por não-índios não serão/são mais o monopólio do discurso histórico que lhes diz respeito. Com o museu Magüta, e outros que estão/foram construídos com o mesmo perfil, se pretende deixar de ser apenas um objeto musealizável e ser também – os povos originários – agentes organizadores de sua memória.
Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma “ponte ideológica” entre culturas, que poderia permitir a participação de povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.(POSEY,1992)
Desculpe por expor tão rápido os referidos assuntos eles dão muito “pano pra manga”, pra lembrar a amiga Barbara e, nos últimos dias aqui na região, acontecimentos é o que não esta faltando: o avião que caiu na TIVJ e que contou com o socorro dos Indígenas Matis, ate a germinação de um proto-movimento estudantil com greve e pedido de mudanças no Instituto Natureza e Cultura-UFAM.
É as mudanças demoram, mas chegam... que possamos sair da estagnação e projetar um futuro melhor pra região amazônica que não apenas exploração de seus recursos e da pauperização de seus moradores, apenas como ‘mão de obra’ barata. Ou com péssimas condições, sucateamento de educação, pesquisa, saúde, entre outras situações que enfrentamos todos os dias.
Por fim, Devemos todos ser a favor da preservação da herança indígena, da recuperação do patrimônio histórico-cultural do índio, da pesquisa etnológica e sua divulgação científica, conscientizando a opinião pública e o próprio governo da “contribuição indígena à cultura brasileira e universal” e, desse modo, aliando-se aos índios em suas lutas por terra, educação, saúde e cultura. É o que pretendemos aqui nessa coluna Índios do nosso tempo. Teçam comentários, no blog, aguardo vocês , ate o próximo de natal!
artedomito@gmail.com
http://indiosdonossotempo.blogspot.com/
texto publicado no jornal.
Não tentaremos descrever ou explicar quem são os Tikuna, outras informações possíveis sobre este povo e a questão geopolítica que envolve o que este povo e o tema aborda, ver autores como João Pacheco, Curt Nimuendaju, entre outros (uma pesquisa pode ser realizada na biblioteca que há anexo ao museu Magüta), aqui me concentro numa perspectiva especifica de olhar a relação entre paisanos benjaminenses e indígenas.
A Formação do Museu Magüta deu-se em 1988, época da nova Constituição Brasileira, lembra-se? Neste época, os Magüta/Tikuna lutavam pela defesa e garantia de seu Território (hoje tudo parece mais tranqüilo com a OIT 169, entre outras melhorias no dialogo intercultural), mas neste recente passado os povos originários sofriam por todo país, e aqui nos rincões da Amazônia não seria diferente. Grupos armados, madeireiros entre tantos outros representantes da ‘frente de expansão’ entravam em conflito periodicamente com os indígenas.
Os Tikuna junto com pesquisadores de outros lugares do país, como a Dra. Jussara Gomes Gruber, passaram pelo menos três anos pensando/discutindo, a organização e montagem da coleção do Magüta. Bem, acreditamos que durante este período os indígenas puderam não apenas colaborar com as pesquisas dos etnólogos, historiadores e lingüistas, como também ‘incorporaram’ um importante “aliado” (alem dos pesquisadores e indigenistas que se imbuíram da causa) à sua luta e ao seu discurso étnico, pois na época, este povo estava em luta também para ser/ter reconhecido como um ‘grupo indígena brasileiro’ (o povo Magüta mantém território em outros países) e assim também seu Território reconhecido. O museu como arma, o museu espaço que daria/deu/dá à legitimidade ao movimento e reconhecimento aos indígenas enquanto diferença, demonstrou neste período ser um grande “aliado”.
Mas sofreram uma dura oposição por parte dos Políticos, (e atualmente percebe-se certa ‘invisibilidade’ perante a cidade, mesmo sendo principal atrativo turístico da cidade) Latifundiários, e principalmente os Madeireiros, chegando estes a cooptar apoio da população de Benjamim Constant para manifestações nas ruas, gestos de hostilidade, de ridicularizar e menosprezar a imagem do povo, categorizando os indígenas como “caboclos” (categoria mais próxima da possível idéia de ‘branco’ que são os paisanos locais que, o ‘branco civilizado industrial turista’ que se pretende demarcar enquanto distinção).
Em meio a protestos e ajuda da imprensa, que cumprindo seu papel apresentou os fatos denunciando as autoridades locais, o museu foi inaugurado em 1991, conquistando prêmios pelo esforço, destaque para “Museu Símbolo de 1995” pelo ICOM, e também o dado pelo IPHAN por sua preservação da cultura brasileira.
Mesmo sendo também importante a nível econômico- trazendo turistas ao município e movimentando a circulação de bens de consumo, informação, dinheiro e tanto mais, não recebe nenhum apoio, incentivo fiscal da prefeitura, não há nenhum tipo de convênio com a companhia de energia para isenção das taxas-e vez por outra estão em dificuldades, pois o que mantém toda estrutura nos dias atuais é praticamente a visitação de turistas que pagam cerca de cinco reais por uma visita guiada.
Curiosamente nos dias de hoje, o Magüta continua enfrentando se não tanto mais a hostilidade, com certeza a ‘invisibilidade’ e não participação dos cidadãos no dia a dia, na relação com o museu e sua história com a própria identidade da cidade e da população local. É um espaço para ser celebrado, mas é ignorado pela população do município.
O artigo de Bessa Freire, escrito já há algum tempo, que apontei no inicio de nossa coluna, vem descrevendo a situação que nos períodos iniciais da época de formação, inauguração do Museu Magüta (e que atualmente ainda insiste em persistir, mesmo que numa outra perspectiva- e é o que chamo aqui de invisibilidade do museu) os paisanos da referida cidade se referiam (fala o artigo) ao museu com certo ‘preconceito’ afirmando que museu é/era coisa de índio, menosprezando sua importância e tudo mais devido também aos fatos históricos brevemente descritos acima.
Bessa Freire vai estabelecendo ao longo de seu trabalho um comparativo com o conceito/idéia que os grandes centros urbanos como, por exemplo, São Paulo, Rio de Janeiro, e outras metrópoles têm/desenvolveram acerca de museus. As instituições museológicas têm, em sua formação o caráter de ser/pertencer às classes dominantes, aos interesses de um determinado pensamento cientifico/social, de quem controla o ‘sistema’ e/ou a ‘situação’. Os famosos “gabinetes de curiosidades” do século XIX, tudo com forte característica evolucionista.
Afinal o que constitui um Museu? Seu acervo? A história de sua sede?Os homens que assim o intitularam?E ainda, mas o que nele contém? História? Pesquisa? Coleções? O que o museu mostra?Ou pra que ele serve ou se propõe?
A idéia local dos paisanos sobre museu, afirma o artigo de Bessa, “vem de um etnocentrismo local contra aos indígenas que são tidos como caboclos, não mais índios autênticos”. Mas esquecem de questionar ou perceber que as ‘mudanças dessa autenticidade’ ocorridas com este povo (e outros mais ao longo da história de ‘contato’) foram em decorrência muito mais, por terem sido escravos no tempo dos seringais, por terem ‘aceito’ e alimentado o sistema exógeno que se apoderou de seus territórios, sua vida, cosmovisão, religião, do que uma feliz vontade. Foi e tem sido sim uma necessidade de “mudar para continuar sendo o mesmo”- diferente... Magüta antes de qualquer outra opção.
O artigo é um tanto irônico ao estabelecer um paralelo com a categoria de ‘caboclo’ para os locais, locais seriam os paisanos do município, que afirmavam perante a alteridade indígena Magüta, ser/pertencer à categoria de ‘civilizados’. Mas a categoria ‘civilizado’, defende o artigo, estaria condicionada a um tipo de perfil, que entre outras características, compreende a instituições museológicas como representante de seu conhecimento cientifico (e não coisa de índio), sua maneira (civilizada) de apreender o mundo, englobando outras culturas, cristalizando-as nas prateleiras e catalogações de acervos dos museus. Longe da concepção etnocêntrica e preconceituosa dos cidadãos do município.
Desta forma então, os paisanos do município seriam ‘caboclos’ (categoria negada por quase todos ‘brancos’ Amazônicos), e os Tikuna, índios, que com apoio de pesquisadores puderam concretizar o conceito de museu, um museu étnico de afirmativa indígena, mas, mais do que isso, de re-afirmativa, lá nos idos de 1992, eco-92, da pluralidade étnica, a diversidade intercultural que somos nós, todos brasileiros. Mas apesar de todo esse movimento e dos prêmios, a cidade ate os dias de hoje se mantém de olhos fechados para a preciosidade que é ter o Magüta na cidade.
Afirmar que museu é coisa de índio, fechar os olhos e não perceber ainda hoje, os erros cometidos, não fazer distinção é manter tudo o que todos nós estamos submetidos, as condições opressoras, de exploração e destruição, é continuar em pleno século XXI á ser colônia. Queremos expor que fora das amarras que nos vinculam a velhos rótulos podemos e devemos fazer a diferença, avaliar o conflito histórico, rever os preconceitos, nos humanizar e comungar juntos com nossas possíveis distinções.
O Magüta é a expressão de um não aceite a essa situação de forma passiva. Os museus construídos por não-índios não serão/são mais o monopólio do discurso histórico que lhes diz respeito. Com o museu Magüta, e outros que estão/foram construídos com o mesmo perfil, se pretende deixar de ser apenas um objeto musealizável e ser também – os povos originários – agentes organizadores de sua memória.
Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma “ponte ideológica” entre culturas, que poderia permitir a participação de povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.(POSEY,1992)
Desculpe por expor tão rápido os referidos assuntos eles dão muito “pano pra manga”, pra lembrar a amiga Barbara e, nos últimos dias aqui na região, acontecimentos é o que não esta faltando: o avião que caiu na TIVJ e que contou com o socorro dos Indígenas Matis, ate a germinação de um proto-movimento estudantil com greve e pedido de mudanças no Instituto Natureza e Cultura-UFAM.
É as mudanças demoram, mas chegam... que possamos sair da estagnação e projetar um futuro melhor pra região amazônica que não apenas exploração de seus recursos e da pauperização de seus moradores, apenas como ‘mão de obra’ barata. Ou com péssimas condições, sucateamento de educação, pesquisa, saúde, entre outras situações que enfrentamos todos os dias.
Por fim, Devemos todos ser a favor da preservação da herança indígena, da recuperação do patrimônio histórico-cultural do índio, da pesquisa etnológica e sua divulgação científica, conscientizando a opinião pública e o próprio governo da “contribuição indígena à cultura brasileira e universal” e, desse modo, aliando-se aos índios em suas lutas por terra, educação, saúde e cultura. É o que pretendemos aqui nessa coluna Índios do nosso tempo. Teçam comentários, no blog, aguardo vocês , ate o próximo de natal!
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